Realmente como professor de Geografia há quase 23 anos da Rede Pública de Ensino do Estado do Rio Grande do Norte, e atualmente sendo aluno do curso de Pedagogia, pois comecei muito cedo no magistério; o que posso refletir sobre o tema acima proposto é que hoje por mais que nós professores tenhamos uma postura condizente com a realidade dos nossos alunos o problema a meu ver está muito centrada na concepção de sociedade que queremos.
Fica muito difícil para nós professores discutirmos por exemplo a questão do lixo nas escolas se em casa os pais não tem a mínima condição sócio cultural de nos ajudar e por consequência acabam pondo fim as nossas discursões em sala de aula e desfazendo tudo aquilo que aprendemos e refletimos na escola.
Só para ilustrar bem a realidade, outro dia estava eu conversando com um aluno sobre a importância dele não usar os palavrões que ele estava usando para se referir a seus coleguinhas. E sabe o que ele me respondeu?! "Se meus pais falam assim em casa porque é que eu tenho que falar de outra forma aqui na escola? Falo sim e pronto" Sei que como professor tenho que retormar este diálogo e vou sim retomá-lo mas, o exemplo que citei é apenas um para poder ilustrar melhor a distância que temos hoje entre a escola e a realidade sócio cultural de nossos alunos.
Os alunos acabam zoando de nossa cara até quando perguntamos o que ele quer ser quando crecer. "Quero ganhar dinheiro, quero ser grande. Mas, uma coisa eu não quero ser. É ser professor!"
A sociedade que aceita este perfil de futuro cidadão seja ele carente ou não, necessita urgentemente promover uma revolução em suas bases educacionais e isto deve partir da necessidade de enterdermos que em Educação o que menos conta são os gastos, temos sim que gastar mais com a Educação deste país. Afinal, com Educação não se gasta se investe e o que está faltando é investimento sério a médio e longo prazo.
Por José de Arimatéia Rodrigues da Silva
Ari, até quando iremos duelar com os poderes constituídos para que a Educação - escola pública - seja realmente de qualidade e igual para todos e que assegure a permanência e o êxito daqueles que nela ingressem.
ResponderExcluirTrabalhei bastante tempo no Ensino Médio - Santa Cruz e Natal -, no momento estou trabalhando somente com o ensino fundamental. EU tinha como meta de trabalho orientar nossos alunos para buscar melhores condições de vida através da educação. Mostrava-lhes a importância de se aprender para a vida, para se fazer um vestibular, um concurso, etc.
Esta semana eu soube de uma notícia que me estarreceu: As escolas de ensino médio estão selecionando os melhores alunos e alunas e formando uma turma forte para fazer o vestibular. Algumas pessoas podem até concordar com este quadro, no entanto, como pedagoga sou CONTRA, pois se estar voltando as famigeradas "turmas fortes" e "turmas fracas" criando cada vez mais grandes lacunas no ensino brasileiro e, no mínimo; situações constrangedoras para aqueles alunos que não forem "avaliados" como os melhores; não haverá a interação e intervenção pedagógica que se faz necessária na construção e aquisição do saber em sala de aula e, o mais grave, legalmente eles não terão direito a isonomia, pois serão tratados de forma diferente entre os seus iguais.
Com certeza estas escolas subirão no rank do ENEM e do vestibular da UFRN, então serão escolas para a mídia não para a realidade brasileira.
Devemos lutar por uma escola de qualidade e de inclusão onde todos possam ter direitos iguais.
Francisca Joseni dos Santos - Pedagoga