A letra cursiva, ou de mão, que se aprendia nos cadernos de caligrafia, será banida em alguns estados americanos por considerarem esta forma de escrever como ultrapassada. A decisão tem como objetivo padronizar o ensino básico nos Estados Unidos, já que quase toda a comunicação, nos tempos de hoje, utiliza letra de forma nos celulares e computadores. No Brasil, já há defensores da ideia. Temos a mania de copiar qualquer novidade sem prestar atenção às necessidades e questões fundamentais da educação.
A letra cursiva, durante séculos, marcava o processo da alfabetização e sinalizava a personalidade da pessoa. Agora, sob o peso da linguagem digital, perde seu valor. É importante o argumento de que as crianças não necessitam mais escrever com lápis ou caneta no papel? Entendo que a pedagogia moderna deveria estar preocupada com questões vitais para uma formação mais humana.
Sonho com uma pedagogia escolar que se preocupe e queira transmitir valores, formar cidadãos, deixar na lembrança de cada aluno um aprendizado que possa orientá-lo no mundo embrutecido em que vivemos. Compreendo que nossa época vive um desenvolvimento científico e tecnológico sem precedentes, mas o que as crianças e os jovens necessitam é falar de amor, ética, solidariedade, vontade, felicidade. A pedagogia moderna deveria preocupar-se em transmitir conceitos simples e de sabedoria permanente. Sensibilizar as novas gerações para as questões éticas e morais não exige materiais caros e sofisticados, mas pede do professor algo que nenhuma tecnologia pode oferecer: o coração aberto. Nenhuma das atividades voltadas para a maquinização humana dará resultado se o professor não se portar como um mágico, um encantador, um animador das questões fundamentais da vida.
Fonte: Carlos Alberto Rabaça, sociólogo e professor - O Dia, 19/07/2011 - Rio de Janeiro RJ
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